quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Emily Dickinson


Mirth is the Mail of Anguish
In which it Cautious Arm
Lest anybody spy the blood
And " You are hurt" exclaim
Emily Dickinson
É isto tudo o que nos define. Se calhar é maldição nossa termos capacidade de questionar tudo, de questionar a beleza da vida e dos sonhos.
A nossa verdadeira maldição é não nos conseguirmos conformar como a pessoa comum... é até acreditarmos que existem mesmo pessoas comuns.
Fui à missa rezar o terço e o mais bizarro aconteceu. O Sr. Padre depositou o olhar em mim e acenou com a cabeça como se suspeitasse algo. Dei por mim a pensar se Deus já estaria à minha espera... ou se era assim tão visível a minha angustia e procura de protecção.
Vim pra casa e fui dormir... até hoje ainda não esqueci aquele olhar...
Obrigado por seres o meu anjo...
Beijos

Quando à noite...


Quando à noite...

Quando eu era pequenina, uma menina, adormecia sempre com os olhos cansados de tanto contar aqueles buraquinhos pequeninos das persianas. Ficava a olhar fixamente para eles, a ver o luar entrar no meu quarto repartido em pequenos raios de luz. Como me encantava! Como eu me banhava naquela luz branca que preenchia todos os cantos do meu quarto.
Quando eu era pequenina, uma menina , a ansiedade tomava conta de mim todas as noites. Não conseguia adormecer sem ver o meu despertador digital marcar as 11h11m. Era o minuto mais especial do meu dia. Mais ninguém estaria a olhar para o relógio como eu estava a olhar. Era especial porque mais ninguém se iria lembrar, que aquele era o único momento da noite em que todos os dígitos do despertador eram iguais.
Quando comecei a ter um quarto só para mim, ganhei o hábito de o arrumar às escuras, durante a noite. Limpava o pó e colocava sempre os brinquedos feios em sítios diferentes. Tudo ganhava uma beleza repentina e efémera . Tudo se tornava mais especial quando eu não podia ver, só sentir e cheirar. Toda a operação era realizada no mais profundo silencio. Bastava tocar no que quer que fosse para saber exactamente o que era. Era tudo meu, tudo feio mas meu. Tinha o meu cheiro, o meu amor, a minha dedicação.
Quando me deitava, vestia sempre aquela camisa de dormir enorme de flanela castanha..Era ela que me aquecia, que me deixava encolher as pernas , prende-la com os joelhos e sentir-me protegida a noite toda. Era tão minha....
Quando finalmente abria a cama para me deitar, ia sempre buscar as minhas almofadas de cetim em forma de coração. As minhas almofadas cor de rosa, cheias de renda de plástico .. eram feitas de cetim ranhoso que a minha avó usava para forrar as malas lá da fabrica. Eram o meu bem mais precioso, o meu tesouro, o meu orgulho, o que tinha de melhor.
Quando a meio da noite me levantava para ir à casa de banho, pintava sempre os lábios com o batom da minha mãe e escovava tanto os meus cabelos.... e assim, saía a correr, não fosse a minha mãe notar.

E era assim que, finalmente, adormecia.

Deitava-me nas minhas almofadas, depois de ter limpo o pó das minhas prateleiras pretas, encolhia-me dentro da minha grande camisa de dormir e contava os quadradinhos dos estores, para que o tempo passasse mais rápido, sempre à espera das benditas 11h11m da noite.
E era assim que eu o esperava, agarrada com força às minhas almofadas coração a olhar fixamente para a janela. Era assim que ele iria entrar no meu quarto, sentado num dos mil raios de luar que preenchiam todo o espaço. Era para ele que eu tinha arrumado o quarto, vestido a minha camisa de dormir mais querida, aquela de flanela cheia de manchas de chocolate, era por ele que eu pintava os lábios e penteava o cabelo que ficava, propositadamente, espalhado em cima das almofadas cor de rosa.
E seria precisamente às 11h11m que tudo isso iria acontecer. Às 11h11m de um dia qualquer ele iria buscar-me, salvar-me!
Só não sabia o dia certo Não existia nenhum dia especial.
E como não sabia, adormecia! Esperei, esperei, esperei...
26/08/2005

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Dia não


Hoje é o meu dia não ... e digo o meu dia não como se fosse o único. Apetece-me ver filmes de magia, 30 Harry Potter seguidos de 70 Senhores dos anéis. Mas sozinha, sentada no sofá, com 5 quilos de chocolates, tostas e croissants mistos ao meu dispor, sumos naturais de laranja e 300 mil maços de tabaco. A seguir as almofadas, fofas, cheirosas e altas. 87 mantas quentes para tapar os pezinhos e por favor não me chateiem.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Brinquedo novo


Este blog é o meu brinquedo novo... Não consigo parar de olhar para ele hihih ...
Mas o estranho disto tudo é que me apetece partilhar este brinquedo. Não o deveria guardar só para mim? Lá está... deve ser a solidão. Aceitei uma proposta de trabalhar em casa e vejam só no que me meti. Não vejo ninguém, não oiço ninguém chiça.. Podridão total. E aqui fica o meu conselho. Levantem-se cedo. Tomem banho, vistam-se e vão trabalhar. Não pensem que estar em casa é bom . Não são férias, não é descanso, não é nada.